Diabetes melito: hiperglicemia crônica e suas complicações

##plugins.themes.bootstrap3.article.main##

Leandro Tadeu Ferreira
Israel Hideo Saviolli
Vitor Engrácia Valenti
Luiz Carlos de Abreu

Resumo

Introdução: O termo diabetes melito descreve uma desordem metabólica de múltipla etiologia, caracterizado por hiperglicemia crônica decorrente de defeitos na secreção e/ou ação da insulina. O diabetes melito é classificado em tipo 1 e 2, diabetes gestacional e outros tipos. A hiperglicemia crônica é o fator primário desencadeador das complicações do diabetes melito. Objetivo: Descrever os mecanismos fisiopatológicos das complicações crônicas e dos distúrbios metabólicos decorrentes da hiperglicemia. Métodos: Foram consultadas as bases de dados do SciELO, Lilacs e Medline. As consultas incluíram artigos registrados entre 1999 e 2010, nas línguas portuguesa e inglesa. Resultados: A hiperglicemia promove a formação dos produtos de glicação avançada (AGEs), responsáveis por complicações macrovasculares. A insulinopenia estimula a secreção de hormônios contrainsulínicos como glucagon, cortisol, catecolaminas e hormônio do crescimento. Iniciam-se processos catabólicos (lipólise e proteólise). Ácidos graxos são captados pelas células hepáticas. Ocorre síntese de acetil-Coa que é convertida em corpos cetônicos. A retenção de corpos cetônicos no plasma provoca acidose metabólica. Alterações na fisiologia ocular são derivadas da opacificação do cristalino e de modificações vasculares retinianas. Nefropatia diabética é a complicação crônica microvascular que compromete a função renal por aumento da membrana basal glomerular. A neuropatia diabética envolve a ativação da via do poliol, a síntese de AGEs e a redução do fluxo sanguíneo neural. Conclusão: A patogênese das alterações fisiológicas e metabólicas decorrentes da hiperglicemia compreende mecanismos fisiológicos, biológicos e bioquímicos que afetam a qualidade de vida do organismo.

##plugins.themes.bootstrap3.article.details##

Seção
Artigos de Revisão

Referências

1. Barbosa JHP, Oliveira SL, Seara LT. Produtos da glicação avançada dietéticos e as complicações crônicas do diabetes. Rev Nutr. 2009;22(1):113-24. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52732009000100011

2. American Diabetes Association. Diagnosis and classification of diabetes mellitus. Diabetes Care. 2005;28(Suppl 1):S37-42. http://dx.doi.org/10.2337/diacare.28.suppl_1.S37

3. Voltarelli JC, Couri CEB, Rodrigues MC, Moraes DA, Stracieri ABPL, Pieroni F, et al. Terapia Celular no Diabetes Mellitus. Rev Bras Hematol Hemoter. 2009;31(1):149-56. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-84842009005000036

4. Matthaei S, Stumvoll M, Kellerer M, Häring HU. Pathophysiology and pharmacological treatment of insulin resistance. Endocr Rev. 2000;21(6):585-618.

5. Mclellan KCP, Barbalho SM, Cattalini M, Lerario AC. Diabetes mellitus do tipo 2, síndrome metabólica e modificação no estilo de vida. Rev Nutr. 2007;20(5):515-24. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52732007000500007

6. American Diabetes Association. Standards of medical care in diabetes-2007. Diabetes Care. 2007;30(Suppl 1):S4-41. http://dx.doi.org/10.2337/dc07-S004

7. Schaefer-Graf UM, Buchanan TA, Xiang AH, Peters RK, Kjos SL. Clinical predictors for a high risk for the development of diabetes mellitus in the early puerperium in women whit recent gestational diabetes mellitus. Am J Obstet Gynecol. 2002;186(4):751-6. http://dx.doi.org/10.1067/mob.2002.121895

8. Campagnolo N, Dallapicola PF, Murussi N, Canani LH, Gross JL, Silveiro SP. Aspectos clínicos e moleculares do Maturity Onset Diabetes of the Young (MODY). Revista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. 2005; 24:51-9.

9. Naves LA, Vilar L, Costa ACF, Domingues L, Casulari LA. Distúrbios na secreção e ação do hormônio antidiurético. Arq Bras Endocrinol Metab. 2003;47(4):467-81. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302003000400019

10. Calvo B, Bilbao JR, Rodriguez M, Rodrigues A, Castano L. Molecular analysis in familial neurohypophyseal diabetes insípidus: Early diagnosis of an assymptomatic carrier. J Clin Endocrinol Metab. 1999;88:3351-3. http://dx.doi.org/10.1210/jcem.84.9.5979

11. Rocha JL, Friedman E, Boson WL, Marco L. Diabetes Insipidus Nefrogênico: Conceitos Atuais de Fisiopatologia e Aspectos Clínicos. Arq Bras Endocrinol Metab. 2000;44(4):290-9. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302000000400004

12. Scheffel RS, Bortolanza D, Weber CS, Costa LA, Canani LH, Santos KG, et al. Prevalência de complicações micro e macrovasculares e de seus fatores de risco em pacientes com diabetes melito do tipo 2 em atendimento ambulatorial. Rev Assoc Med Bras. 2004;50(3):263-7. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302004000300031

13. Barone B, Rodacki M, Cenci MCP, Zajdenverg L, Milech A, Oliveira JEP. Cetoacidose Diabética em Adultos – Atualização de uma Complicação Antiga. Arq Bras Endocrinol Metab. 2007;51(9):1434-47. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302007000900005

14. Damiani DU, Damiani DA. Complicações Hiperglicêmicas Agudas no Diabetes Melito Tipo 1 do Jovem. Arq Bras Endocrinol Metab. 2008;52(2): 367-74. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302008000200025

15. Bertoluci MC, Cé GV, Silva AMV, Pu-ales MKC. Disfunção Endotelial no Diabetes Melito Tipo 1. Arq Bras Endocrinol Metab. 2008;52(2): 416-26. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302008000200030

16. Quadros AS, Leite RS, Bertoluci M, Duro K, Schmidt A, De lucca GJ, et al. Angiographic coronary artery disease is associated with progressively higher levels of fasting plasma glucose. Diabetes Res Clin Pract. 2007;75(2): 207-13. http://dx.doi.org/10.1016/j.diabres.2006.06.003

17. Bartnik M, Malmberg K, Rydén L. Management of patients with type 2 diabetes after acute coronary syndromes. Diabetes Vasc Dis Res. 2005;2:144-54. http://dx.doi.org/10.3132/dvdr.2005.022

18. Rodacki M, Zajdenverg L, Lima GAB, Nunes RC, Milech A, Oliveira JEP. Relato de Caso: Diabetes Flatbush – da Cetoacidose ao Tratamento Não-Farmacológico. Arq Bras Endocrinol Metab. 2007;51(1):131-5. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302007000100021

19. Andrade OVB, Ihara FO, Troster EJ. Metabolic acidosis in childhood: why, when and how to treat. J Pediatr. 2007;83(2 Suppl):S11-21. http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572007000300003

20. Lucchetti G, Granero AL, Almeida LGC, Battistella VM. Hipertrigliceridemia grave na cetoacidose diabética: relato de caso. Arq Bras Endocrinol Metab. 2009;53(7):880-3. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302009000700013

21. Pereira GAB, Archer RLB, Ruiz CAC. Avaliação do grau de conhecimento que pacientes com diabetes mellitus demonstram diante das alterações oculares decorrentes dessa doença. Arq Bras Oftalmol. 2009;72(4):481-5. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27492009000400009

22. Pizzol MMD, Esteves JF, Sccoco CA, Roggia MF, Rosa CM, Lambert JHF, et al. Catarata e diabetes mellitus tipo 1. Arq Bras Oftalmol. 2008;71(4): 564-7. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27492008000400018

23. Esteves J, Laranjeira AF, Roggia MF, Dalpizol M, Scocco C, Kramer CK, et al. Fatores de Risco para Retinopatia Diabética. Arq Bras Endocrinol Metab. 2008;52(3):431-41. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302008000300003

24. Rezende MP, Dias AFG, Oshima A, Andrade EP, Serracarbassa PD. Avaliação da acuidade visual e da pressão intraocular no tratamento do edema macular diabético com triancinolona intravítrea. Arq Bras Oftalmol. 2010;73(2): 129-34. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27492010000200006

25. Antcliff RJ, Marshall J. The pathogenesis of edema in diabetic maculopathy. Semin Ophthalmol. 1999;14(4):223-32. http://dx.doi.org/10.3109/08820539909069541

26. Brownlee M. The pathobiology of diabetic complications: a unifying mechanism. Diabetes. 2005;54(6):1615-25. http://dx.doi.org/10.2337/diabetes.54.6.1615

27. Lagranha CJ, Fiorino P, Casarini DE, Schaan BD, Irigoyen MC. Bases Moleculares da Glomerulopatia Diabética. Arq Bras Endocrinol Metab. 2007;51(6):901-12. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302007000600003

28. Gross JL, Azevedo MJ, Silveiro SP, Canani LH, Caramori ML, Zelmanovitz T. Diabetic nephropathy: diagnosis, prevention, and treatment. Diabetes Care. 2005;28:164-76. http://dx.doi.org/10.2337/diacare.28.1.164

29. Zanatta CM, Canani LH, Silveiro SP, Burttet L, Nabinger G, Gross JL. Papel do Sistema Endotelina na Nefropatia Diabética. Arq Bras Endocrinol Metab. 2008;52(4):581-8. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302008000400003

30. Murussi M, Coester A, Gross JL, Silveiro SP. Nefropatia diabética no diabete melito tipo 2: fatores de risco e prevenção. Arq Bras Endocrinol Metab. 2003;47:207-19. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302003000300003

31. Porciúncula MVP, Rolim LCP, Garofolo L, Ferreira SBG. Análise de fatores associados à ulceração de extremidades em indivíduos diabéticos com neuropatia periférica. Arq Bras Endocrinol Metab. 2007;51(7):1134-42. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302007000700017

32. Freitas MCF, Junior WM, Foss MC. Neuropatia Autonômica: Uma Complicação de Alto Risco no Diabetes Melito Tipo 1. Arq Bras Endocrinol Metab. 2008;52(2):398-406. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302008000200028

33. Vinik AI, Maser RE, Mitchell BD, Freeman R. Diabetic autonomic neuropathy. Diabetes Care. 2003;26(5):1553-79. http://dx.doi.org/10.2337/diacare.26.5.1553

34. Sullivan KA, Feldman EL. New developments in diabetic neuropathy. Curr Opin Neurol. 2005;18:586-90. http://dx.doi.org/10.1097/01.wco.0000178825.56414.52

35. Moreira RO, Amâncio APRL, Brum HR, Vasconcelos DL, Nascimento GF. Sintomas depressivos e qualidade de vida em pacientes diabéticos tipo 2 com polineuropatia distal diabética. Arq Bras Endocrinol Metab. 2009;53(9):1103-11. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302009000900007