Percepções e práticas de agentes comunitários de saúde na atenção a usuários de drogas

Karen Batista, Bernardino Geraldo Alves Souto

Resumo


Introdução: No âmbito das políticas públicas vigentes no Brasil sobre atenção à saúde de pessoas que usam álcool e outras drogas, os Agentes Comunitários de Saúde da Estratégia de Saúde da Família (ACS) são profissionais de significativa importância para a busca ativa e para o cuidado dessa população. No entanto, eles têm muita dificuldade em realizar tais ações, provavelmente devido à insuficiente qualificação técnica que recebem sobre abordagem adequada de usuários de drogas. Objetivo: Descrever as percepções e as expectativas de um grupo de Agentes Comunitários de Saúde sobre usuários de álcool e outras drogas, sobre as quais fundamentam suas práticas de cuidado. Métodos: Pesquisa clinico-qualitativa, aprovada por Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, baseada na entrevista de dez Agentes Comunitários de Saúde experientes em cuidar de usuários de drogas. As entrevistas foram tratadas por estratégia ideográfica e organizadas nomoteticamente por conteúdos temáticos, os quais foram analisados sob os referenciais da clínica ampliada. Resultados: Os Agentes Comunitários de Saúde querem cuidar adequadamente dos usuários de drogas, mas não sabem como fazê-lo porque ainda convivem com noções leigas sobre essas pessoas e não recebem formação técnica suficiente. Conclusão: Esses ACS percebem a necessidade de se qualificarem e desejam essa qualificação para cuidar melhor de pessoas que usam álcool e drogas ilícitas. Portanto, para que as políticas públicas destinadas ao cuidado de quem tem problemas com o uso de drogas sejam eficazes, é indispensável a aplicação de estratégias de educação permanente capazes de transformar as práticas e as percepções desses profissionais.


Palavras-chave


agentes comunitários de saúde; saúde mental; usuários de drogas; Estratégia Saúde da Família

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v42i3.1072

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