Efeito de três protocolos de treinamento na pressão arterial e frequência cardíaca em normotensos

Gabriel Araújo Soares, Fernando Vítor Lima, Leszek Antoni Szmuchrowski, Gustavo Ferreira Pedrosa, João Gabriel Silveira Rodrigues, Reginaldo Gonçalves

Resumo


Introdução: Doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte no Brasil, sendo uma destas a hipertensão arterial. A prática regular de exercício físico permite um melhor controle da pressão arterial e indivíduos com maiores níveis de aptidão física apresentam um menor risco para desenvolver hipertensão. Além disso, pessoas com frequências cardíacas de repouso mais baixas apresentam uma menor probabilidade de desenvolverem cardiopatias. Objetivo: Comparar o efeito do treinamento aeróbico, de força e combinado nas pressões arteriais sistólica, diastólica e média e na frequência cardíaca de repouso em homens normotensos. Métodos: Ensaio clínico aleatorizado com três grupos experimentais e um grupo controle. Cada grupo experimental realizou uma destas três modalidades de treinamento, três vezes por semana, durante doze semanas. Participaram homens de 30 a 57 anos, sedentários e normotensos. A pressão arterial e a frequência cardíaca pré e pósintervenção foi aferida utilizando um aparelho automático validado e seguindo recomendações da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Os dados foram comparados pelo teste t de Student e pela ANOVA one-way. Resultados: 39 voluntários completaram o estudo. Não houve variação significante da pressão arterial sistólica, diastólica e média e frequência cardíaca nos três grupos de treinamento entre pré e pós-intervenção. Apenas a frequência cardíaca nestes grupos apresentou diferenças significativas quando comparada ao grupo controle. Conclusão: Resultados sugerem que o treinamento físico, realizado três vezes por semana, durante doze semanas, não é suficiente para reduzir a pressão arterial de modo significativo em homens normotensos, seja este treinamento aeróbico, de força ou combinado.


Palavras-chave


exercício; treinamento de resistência; pressão arterial; frequência cardíaca

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v43i3.1096

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