Perfil epidemiológico da infecção nosocomial do trato urinário em hospital universitário de Campina Grande (PB)

Ygor Paiva Schiel Baracuhy, Cátia Sueli de Sousa Eufrazino Gondin, Andréa Amorim Pereira Barros, Haysa Paiva Baracuhy, Verena Schiel Baracuhy

Resumo


Introdução: A infecção do trato urinário (ITU) é a infecção hospitalar mais frequente. Objetivo: Este estudo tem como objetivo categorizar e identificar aspectos relacionados à infecção nosocomial do trato urinário (ITUN) no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande (PB), traçando um perfil dos pacientes com este diagnóstico durante internação de janeiro a julho de 2012 em enfermarias clínicas do hospital (clínica geral, cardiologia, endocrinologia, infectologia e pneumologia). Métodos: Foram analisados prontuários referentes a 436 internamentos. A pesquisa de base quantitativa e qualitativa se caracterizou por um estudo descritivo. As variáveis examinadas incluíram idade, sexo, enfermaria, tempo de internação, sondagem vesical de demora (SVD) e sua duração, exames diagnósticos, evolução para ITUN, drogas utilizadas como terapia empírica inicial, agentes isolados em uroculturas e susceptibilidade antimicrobiana dos patógenos isolados. Resultados: Foi identificada a evolução para ITUN em 12,61% das internações, predominando entre pacientes idosos e naqueles com SVD, além da supremacia da Escherichia coli entre os patógenos isolados e sua taxa de resistência às fluoroquinolonas de 50%. Conclusão: As cepas de E. coli isoladas mostraram sensibilidade às cefalosporinas de 2ª e 3ª gerações, amicacina e meropenem. As cepas isoladas de Klebsiella pneumoniae, segundo patógeno mais frequente, foram sensíveis apenas à cefoxitina e ao meropenem. As fluoroquinolonas foram, em nossa pesquisa, as mais prescritas como terapia empírica, o que pode justificar as elevadas taxas de resistência encontradas, tornando, então, seu uso impróprio para tratamento empírico de novos casos.


Palavras-chave


infecções urinárias; perfil de saúde; testes de sensibilidade microbiana

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v38i3.20

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