Evolução do Programa de Triagem Neonatal em hospital de referência no Ceará: 11 anos de observação

Daniela Cavalcanti e Silva Novais Carvalho, Tereza Callou Couto Macedo, Magnollya Moreno, Francisco Winter dos Santos Figueiredo, Iara Bezerra Sales, Juliana Christofolini, Bianca Bianco, Caio Parente Barbosa, Denise Maria Christofolini

Resumo


Introdução: O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) tem como objetivo a detecção de doenças congênitas em fase pré-sintomática. Esse teste é realizado em todos os Estados do Brasil, porém com diferentes realidades quanto à incidência das doenças diagnosticadas devido à diversa origem étnica observada nacionalmente. O registro dos casos permite a elaboração de políticas públicas de prevenção e tratamento. Objetivo: Analisar a eficácia de um programa de triagem neonatal em um hospital de referência do Estado do Ceará ao longo dos últimos 11 anos. Métodos: Estudo transversal realizado a partir de prontuários de crianças nascidas entre os anos de 2002 e 2012 no referido hospital. Resultados: Dos 5.000 testes realizados, 2.893 prontuários completos foram incluídos no estudo (57,8%). Desses casos, dois apresentaram fenilcetonúria e três, hipotireoidismo. Uma vez que quase a metade dos resultados dos testes não estava devidamente registrada no prontuário clínico dos pacientes, tornou-se inviável o cálculo de frequência da doença na população. Conclusão: A falha no registro dos dados do teste de triagem pode fazer com que falte aos gestores municipais e hospitalares o conhecimento sobre o número de casos da região, acarretando, consequentemente, falha nas estratégias de tratamento. Verifica-se a necessidade de organização de um banco de dados informatizado e de capacitação dos profissionais de saúde para o preenchimento dos dados do teste, para viabilizar o diagnóstico e o tratamento precoces, bem como permitir o delineamento do cenário real sobre a incidência das doenças diagnosticadas pelo “Teste do Pezinho” no Brasil.


Palavras-chave


anormalidades congênitas; triagem neonatal; doenças metabólicas

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v42i3.933

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