Conhecimento de pediatras que atuam em urgências e emergências sobre tratamento da anafilaxia

João Carlos Pina Faria, Tifani Dawidowicz Fernandes

Resumo


Introdução: Anafilaxia é uma reação sistêmica grave, aguda e potencialmente fatal. Apresenta vários desencadeantes e mecanismos diferentes, entretanto, o tratamento agudo é igual em todos os casos. Objetivo: Avaliar o conhecimento sobre tratamento da anafilaxia e choque anafilático (CA) de pediatras que atuam em setor de emergência pediátrica. Métodos: Estudo transversal através da aplicação de questionário de múltiplas escolhas com 10 perguntas sobre tratamento da anafilaxia e CA. Foram convidados todos os pediatras do Pronto Socorro de um Hospital Público Pediátrico. Resultados: Cinquenta entre 51 pediatras concordaram em participar do estudo. A média de acertos foi 6,32 com mediana de 7 (mínimo 2 e máximo 10). Houve reconhecimento adequado dos pediatras sobre a droga de escolha para iniciar o tratamento da anafilaxia e CA em 96% e 92%, respectivamente. Sobre a via de administração da adrenalina, a adequação das respostas foi de 64%. Em relação à dose de adrenalina, 70% identificaram corretamente, porém, o conhecimento sobre a dose máxima foi de 44%. Ao perguntar o intervalo para repetir a adrenalina, 38% responderam corretamente. Perguntou-se sobre terapias adjuvantes no tratamento do CA com 74% de acerto. Sobre a droga que previne a reação anafilática bifásica, 60% responderam corretamente. Quanto ao tempo de observação, 54% responderam o período adequado. O acerto sobre apresentações disponíveis de adrenalina autoinjetável foi de 40%. Conclusão: Houve dificuldade principalmente em reconhecer dose máxima, dose de adrenalina autoinjetável e tempo necessário para ser repetida, o que aumenta o risco de superdosagem e seus efeitos adversos.


Palavras-chave


anafilaxia; epinefrina; pediatria; tratamento de emergência

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v43i1.983

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