Qualidade de vida e incapacidade funcional entre idosos cadastrados na estratégia de saúde da família

Árlen Almeida Duarte de Sousa, Andréa Maria Eleutério de Barros Lima Martins, Marise Fagundes Silveira, Wagner Luiz Mineiro Coutinho, Daniel Antunes Freitas, Eveline Lucena Vasconcelos, Amanda Miranda Brito Araújo, Ana Monique Gomes Brito, Raquel Conceição Ferreira

Resumo


Introdução: O comprometimento da funcionalidade do idoso traz consequências prejudiciais relacionadas à família, comunidade e ao próprio sistema de saúde. Objetivo: Estimar a ocorrência da qualidade de vida (QV) ruim entre idosos, além de verificar sua associação com incapacidade funcional, características pessoais, comportamentos de saúde e condições subjetivas de saúde bucal. Métodos: Estudo epidemiológico avaliou 361 idosos com idade igual ou superior a 60 anos, cadastrados nas três Estratégias de Saúde da Família no município de Ibiaí-MG. A QV foi medida pelo WHOQOL-bref e as variáveis independentes foram características pessoais, comportamentos de saúde, condições subjetivas de saúde bucal e incapacidade funcional. Foram feitas regressões logísticas para estimativa dos modelos múltiplos e o modelo final foi ajustado, mantendo-se as variáveis associadas com p<0,05. Resultados: No domínio físico, constatou-se menor chance de QV ruim entre idosos que possuíam hábitos etilistas, e maior chance entre os idosos que faziam uso de medicamento, que relataram percepção ruim/péssima da aparência dos dentes e gengivas e entre aqueles com incapacidade funcional. No domínio psicológico, observou-se menor chance de QV ruim entre homens, e maior chance entre os idosos que relataram percepção da saúde bucal como ruim/péssima e aqueles com incapacidade funcional. No domínio social, obteve-se maior chance de QV ruim entre idosos que relataram percepção ruim/péssima da aparência dos dentes e gengivas e que apresentaram incapacidade funcional. Conclusão: Constatou-se alta ocorrência de QV ruim entre idosos e evidenciou-se relação entre QV ruim e incapacidade funcional.


Palavras-chave


qualidade de vida; atividades cotidianas; saúde bucal; saúde do idoso; atenção primária à saúde

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DOI: https://doi.org/10.7322/abcshs.v43i1.986

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