Zumbido: aspectos etiológicos, fisiopatológicos e descrição de um protocolo de investigação

Conteúdo do artigo principal

Osmar Clayton Person
Maria Cristina Lancia Cury Féres
Carlos Eduardo Martins Barcelos
Renata Ribeiro de Mendonça
Marisa Ruggieri Marone
Priscila Bogar Rapoport

Resumo

O zumbido é um sintoma otoneurológico descrito desde a Antigüidade, correspondendo à percepção de um som não relacionado a uma fonte externa de estimulação. É considerado o terceiro pior fator que pode acometer o ser humano, só sendo superado pela dor intensa intratável e pela tontura intensa intratável. Acredita-se que esse sintoma acometa severamente 1 a 2% da população americana, embora haja diferença na incidência entre os países. Os mecanismos fisiopatológicos do zumbido ainda não foram completamente elucidados, mas atualmente é consenso que se trata de uma atividade neuronal aberrante dentro das vias auditivas, geralmente de natureza excitatória. Considerando que esse sintoma pode relacionar-se à cerca de 300 afecções, sua investigação requer uma anamnese detalhada, buscando fatores causais cujo conhecimento certamente têm implicação na abordagem terapêutica. O presente trabalho aborda as principais etiologias do zumbido, destacando aspectos fisiopatológicos e terapêuticos, e descreve o protocolo de investigação de zumbido utilizado no Ambulatório de Zumbido da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina do ABC (São Paulo, Brasil).

Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Seção
Artigos

Referências

Fukuda Y. Zumbido: diagnóstico e tratamento. Rev Bras Otorrinolaringol 1997; 4(2):39-43.

Ribeiro PJ, Iório MCM, Fukuda Y. Tipos de zumbido e sua influência na vida do paciente: estudo em uma população ambulatorial. Acta Awho 2000; 19(3):125-35.

Sanchez TG. VIII Curso de diagnóstico e tratamento do zumbido– experiência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 2003 (comunicação pessoal).

Seidman MD, Jacobsen GP. Update on tinnitus. Otolaryngol Clin North Am 1996; 29:455-64.

Cooper Jr JC. Health and nutrition examination survey of 1971-75: part II. tinnitus, subjective hearing loss, and well-being. J Am Acad Audiol 1994; 5:37-43.

Sanchez TG, Bento RF, Miniti A, Câmara J. Zumbido: características e epidemiologia - experiência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Rev Bras Otorrinolaringol 1997; 63(3): 229-35.

House JD. Tinnitus: evaluation and treatment. Am J Otol 1984; 5(6):472-5.

Fukuda Y. Zumbido e suas correlações otoneurológicas. In: Ganança MM. Vertigem tem cura?, 1ª ed. São Paulo: 1998, vol 1, p.171-6.

Sanchez TG, Lorenzi MC, Brandão AL, Bento RF. O zumbido como instrumento de estudo das conexões centrais e da plasticidade do sistema auditivo. Rev Bras Otorrinolaringol 2002; 65(6):839-49.

Sanchez TG, Miotto Netto B, Sasaki F, Santoro PP, Bento RF. Zumbidos gerados por alterações vasculares e musculares. Arq Fund Otorrinolaringol 2000; 4(4):136-42.

Person OC. Avaliação dos potenciais evocados auditivos de tronco cerebral em portadores de tinnitus antes e após tratamento com administração sistêmica de compostos com zinco. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto: 2003, p. 1-125.

Jastreboff PJ. Phantom auditory perception (tinnitus): mechanisms of generation and perception. Neurosc Res 1990; 8:221-54. http://dx.doi.org/10.1016/0168-0102(90)90031-9

Seidman MD, Arenberg JG, Shirwany NA. Palatal myoclonus as a cause of objective tinnitus: a report of six cases and a review of the literature. ENT- Ear, Nose & Throat Journal 1999; 78(4):292-7.

Badia L, Parikh A, Brookes GB. Management of middle ear myoclonus. The Journal of Laryngology and Otology 1994; 108:380-2. http://dx.doi.org/10.1017/S0022215100126866

Felício CM, Oliveira JAA, Nunes LJ, Jeronymo LFG, Jeronymo RRF. Alterações auditivas relacionadas ao zumbido nos distúrbios otológicos e da articulação têmporo-mandibular. Rev Bras Otorrinolaringol 1999; 65(2):141-46.

Costen JB, A Syndrome of year and sinus symptoms dependent upon disturbed functions of the temporomandibular joint. Ann Otol Rhino-Laryngol 1934; 43:1-15.

Goodfriend DJ. Deafness, tinnitus, vertigo and neuralgia. Arch Otolaryngol 1947; 46:1-35. http://dx.doi.org/10.1001/archotol.1947.00690020008001

Myrhaugh H. The incidence of the ear symptoms in cases of maloclusion and temporomandibular joint disturbance. Br J Oral Surg 1965; 2:28-32. http://dx.doi.org/10.1016/S0007-117X(64)80004-4

Seraidarian PI, Melgaço CA, Dutra SR. Zumbido, vertigem e desordens têmporo-mandibulares. Revista Brasileira de Otorrinolaringol (Caderno de Debates) 2003; 69:3-8.

Davis H. An active process in cochlear mechanics. Hear Res 1983; 9:79-90. http://dx.doi.org/10.1016/0378-5955(83)90136-3

Norton SJ, Schmidt AR, Stover LJ. Tinnitus and otoacoustic emissions: is there a link? Ear Hear 1990; 11:159-66. http://dx.doi.org/10.1097/00003446-199004000-00011

Kaltenbach JA. Neurophysiologic mechanisms of tinnitus. J Am Acad Audiol 2000; 11(3):125-37.

Bittar RSM, Sanchez TG, Formigoni LG. Fisiologia do zumbido. In: Temas de Otoneurologia. s. l.: Departamento de Otorrinolaringologia do HCFMUSP, São Paulo: 2001, vol 1, p. 34-46.

Zenner HP, Ernst A. Cochlear motor tinnitus, transduction tinnitus, and signal transfer tinnitus: three models of cochlear tinnitus. In: Vernon JA, Moller AR. (eds). Mechanisms of tinnitus. Boston: Allyn and Bacon: 1995, p. 237-54.

Ehrenberger K, Felix D. Receptor pharmacological models for inner ear therapies with emphasis on glutamate receptors: a survey. Acta Otolaryngol 1995; 115:236-40. http://dx.doi.org/10.3109/00016489509139299

Stypulkowski PH. Physiological mechanisms of salicylate ototoxicity. Ph. D. Thesis, University of Connecticut, Storrs: 1989, p. 1-176.

Hazell JWP. A cochlear model of tinnitus. Feldmann, H., ed. Proceedings III International Tinnitus Seminar., Muenster: 1987, p.121-28.

Moller AR. Pathophysiology of tinnitus. Ann Otol Rhinol Laryngol 1984; 93:39-44.

Evans EF. Place and time coding of frequency in the peripheral auditory system: some physiological pros and cons. Audiology 1978; 17:369-420. http://dx.doi.org/10.3109/00206097809072605

Eggermont JJ, Sininger Y. Correlated neural activity and tinnitus. In: Vernon JA, Moller AR; (eds). Mechanisms of tinnitus. Boston: Allyn and Bacon 1995, p. 21-34.

Person OC, Nardi JC, Féres MCLC. A relação entre hipozincemia e zumbido. Rev Bras Otorrinolaringol 2004; 70(3):361-7. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72992004000300012

Salvi RJ, Lockwood AH, Burkard R. Neural plasticity and tinnitus. In Tinnitus:Tyler R. USA: 2000, p. 123-48.

Irvine DR, Rajan R. Injury-induced reorganization of frequency maps in adult auditory cortex: the role of unmasking of normally-inhibited inputs. Acta Otolaryngol (Suppl) 1997; 532:39-45. http://dx.doi.org/10.3109/00016489709126143

Muhlnickel W, Elbert T, Taub E, Flor H. Reorganization of auditory cortex. Proc Natl Acad Sci USA 1998; 95:10340-3. http://dx.doi.org/10.1073/pnas.95.17.10340

Sanchez TG, Pedalini MEB, Bento RF. Hiperacusia: artigo de revisão. Arq Fund Otorrinolaringol 1999; 3(4):184-8.

Mirz F, Gjedde A, Ishizu K, Pedersen CB. Cortical networks subserving the perception of tinnitus: a PET study. Acta Otolaryngol (Suppl) 2000; 543:241-3. http://dx.doi.org/10.1080/000164800454503

Sanchez TG, Bento RF, Miniti A, Câmara J. Zumbido: características e epidemiologia. Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Divisão de Clínica Otorrinolaringológica, p. 1-18 (brochura).

Ferreira AG, Ferreira NGM, Sierra CMMF. Zumbidos: tratamento cognitivo. F Med Bras 1991; 103(3):123-7.

Baguley DM. Mechanisms of tinnitus. Brit Med Bull 2002; 63:195-212. http://dx.doi.org/10.1093/bmb/63.1.195

Flor H, Elbert T, Knecht S, Wienbruch C, Pantev C, Birbaumer B, Larbig W, Taub E. Phantom-limb pain as a perceptual correlate of cortical reorganization following arm amputation. Nature 1995; 375:482-84. http://dx.doi.org/10.1038/375482a0

Holgers KM, Erlandsson SI, Barrenäs ML. Predictive factors for the severity of tinnitus. Audiology 2000; 39:284-91.